Há 16 anos São João do Piauí perdia um grande mestre, Pe. Solon

26/12/2017 11:00

Há 16 (dezesseis) anos São João do Piauí perdia um grande educador, fundador do Ginásio Frei Henrique, humanista, religioso de fé e disciplinado, chamado Padre Solon Correia de Aragão, que por muito fez por esta cidade. 

Filho de Ascendino Pinto de Aragão e Eulina Correia de Aragão, Pe. Solon exerceu por cerca de meio século o sacerdócio em São João do Piauí. Seus sermões na Igreja de São João Batista, ponto central da cidade, era de grande importância não só para os fiéis, mas para todos aqueles que tinham respeito e admiração pelo mesmo. Sempre atencioso e coerente com suas palavras, o saudoso padre empregava as palavras e os pensamentos certas nos momentos certos. Em 1975 recebeu o título de Monsenhor, em reconhecimento ao seu belo trabalho.

Com seu dom para com o povo, Padre Solon também era político, não se rendendo a ditadura e tendo voz própria, sendo firme em suas decisões. Por ser autêntico e combativo contra as injustiças foi incompreendido algumas vezes por aqueles que dominavam o poder, mas nunca se abateu ou se rendeu, seguindo firme nas suas posições politicas e religiosas. 

Seja como ocupante de um assento na Assembleia Legislativa Piauiense, como deputado estadual em 1962, ou posteriormente na Secretaria de Cultura do Estado, como secretário de Estado, Padre Solon sempre atuou de forma ampla no Estado do Piauí, assumindo muitas responsabilidades, em várias pastas, cumprindo seu papel com muita dedicação. 

Padre Solon também foi candidato a senador da república em 1966 e a prefeito de São João do Piauí, tendo grande chances de se eleger e administrar a cidade, porém, seu registro de candidatura foi cassado faltando poucos dias para a votação. 

Tive o privilégio de ser seu amigo. Eu era o sonoplasta da Ave Maria que ele rezava e comentava na Rádio Vale do Piauí, por dez anos. Em off, nos bastidores, conversávamos muito sobre política. Tenho fitas cassetes com depoimentos de parentes, amigos, políticos e dele sobre o cinquentenário de sacerdócio de Padre Solon. 

Com enorme participação na educação, política e história do município, Pe. Solon é digno de homenagens a sua altura. 

Desde a sua partida para o plano espiritual já se passaram vários vereadores na câmara municipal, será se nenhum deles foi aluno de Pe. Solon? Ou acompanharam sua trajetória política e religiosa? Ou viram ou souberam de suas ações pela população? ou simplesmente achavam ou acham que ele não merecia ou merece uma homenagem como a nomeação de uma rua ou avenida? Ou algum colégio ou prédio com seu nome?