Brasil: direita cruel - Por Deusval Lacerda de Moraes

15/08/2017

A direita brasileira é atroz em todos os sentidos. Ela não perdoa, pois sempre viveu às expensas da exploração dos mais fracos. Historicamente, no Brasil, a direita exerceu o seu papel sem dó nem piedade sobre aqueles que tinham a obrigação de lhe servir ou sustentar. 

Os membros das gerações brasileiras atuais que não passaram por processo de politização e conscientização são herdeiros dos vícios e defeitos da evolução histórica das suas mazelas e que não aceitam qualquer alteração em favor da coletividade mesmo em tempos modernos que exigem do Estado o seu papel plenamente justo e democrático.

No Brasil, a escravidão foi a última a ser abolida no continente americano. E assim mesmo numa decisão arrojada da Princesa Isabel, que aproveitou a ausência do Pai, o imperador D. Pedro II, que se encontrava na Europa, e contra a tradicional elite rural brasileira que era contra a libertação dos escravos. 

Como a abolição do cativeiro no Brasil foi de inopino, não se preparou como os libertos seriam inseridos na nova realidade social. Analfabetos, alquebrados e despreparados para enfrentar a vida, muitos ficaram perambulando pelas nossas cidades, fazendo biscates, morando em favelas ou voltando aos ex-patrões, agora sem os grilhões, mas por prato de comida. 

Nos Estados Unidos da América, que já almejava se transformar em uma forte Nação, e para tanto não poderia dispensar do engajamento do ideal americano os ex-cativos, adotou logo o sistema de cotas para resgatar o déficit educacional e visando a profissionalização da comunidade negra no se processo de desenvolvimento. 

A direita do Brasil, como a mais abominável das Américas, virou as costas para os ex-escravos e os deixou ao deus-dará. Isso criou, durante todo esse tempo, um enorme abismo que separa brancos e negros, ricos e pobres. E quinze anos atrás, mesmo com um retardo secular, quando foi implantada a política de cotas raciais e sociais no Brasil, a direita na sua quase totalidade foi contra a medida. 

Agora, a sociedade brasileira colhe os bons frutos. Segundo a matéria de Veja, as cotas estão cumprindo o seu papel. A direita inventou, na época, que as cotas derrubariam a qualidade do ensino universitário, estimulariam a evasão e acirrariam os conflitos raciais. Só falácia dos que insistiam em negar oportunidade para todos. 

Atualmente, entre os 1,1 milhão de brasileiros que estão nas universidades públicas federais, 430 mil chegaram lá por meio de cotas. Provavelmente jamais conheceriam um campus universitário ou jamais teriam um diploma de ensino superior. 

Isto, por si só, mostra os ganhos nacionais quando o País adota política pública de cunho coletivo e de respeito ao Estado Democrático de Direito e do Estado Social. Mostra também o quanto a direita é mesquinha e egocêntrica quando quer tudo para si, inclusive o que não lhe pertence. E a direita aplicou o golpe parlamentar-constitucional-judicial no País para fazer o contrário de Robin Hood: tirar dos pobres para dar aos ricos.

Por Deusval Lacerda de Moraes