Ainda existe esperança - Líder do PMDB na Câmara diz que governo não tem votos para Previdência

06/11/2017

O líder do partido do presidente Michel Temer na Câmara, Baleia Rossi (PMDB-SP), afirmou nesta segunda-feira (6) que o governo não tem os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência na Casa."Nós antes das denúncias tínhamos um quadro de iminente aprovação da reforma, e a realidade é que o quadro hoje não é esse. Hoje o governo não tem os votos necessários para aprovar uma PEC [Proposta de Emenda Constitucional]", disse em entrevista coletiva.

Aliados do governo têm dito publicamente que a pauta da reforma do sistema previdenciário é a prioridade número um após a derrubada da segunda denúncia contra Temer, que foi enterrada pela Câmara no fim de outubro. Alguns chegaram a afirmar que as discussões seriam retomadas nesta semana.

Nos bastidores, porém, mesmo líderes da base afirmam que será difícil votar uma reforma que precisa de 308 votos para ser aprovada, e que é impopular, a um ano das eleições. Um termômetro que está sendo utilizado para medir a quantidade de votos é o resultado da denúncia, em que o presidente contabilizou perdas: Temer recebeu 251 votos na segunda, contra 263 na primeira.

Baleia afirmou acreditar, no entanto, que a reforma não é a "pauta única" do governo e que outras medidas de ajuste fiscal devem ser aprovadas na Casa.Os líderes partidários se reuniram na tarde desta segunda com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir a pauta de votação da semana.

Depois, seguiram para o Palácio do Planalto, onde encontraram com Temer, que faz gesto de reaproximação com parlamentares para tentar recompor a base. 

Desembarque - Um dos principais pleitos da ala conhecida como "centrão" é a antecipação de uma reforma ministerial para este ano, cobiçando principalmente o espaço do PSDB, partido que está dividido e deu 23 votos pela abertura da denúncia, mas ocupa quatro ministérios.

Baleia Rossi afirmou que "se a decisão política do PSDB em sair do governo já estiver tomada, não tem porque esperar até dezembro". O líder peemedebista fazia referência a artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicado neste domingo (5), em que o tucano defendeu que o partido saia do governo nas convenções do final do ano.

O parlamentar disse, no entanto, não acreditar que a questão da reforma da Previdência se resolverá com uma mudança ministerial. "Não acho que essa questão da previdência vai depender de um ministério para o partido A ou para o partido B, eu acho que a questão é de conscientização, de mostrar para os parlamentares a importância que existe na aprovação de medidas do ajuste fiscal", afirmou.

Fonte: Folhapress